Vou falar sobre um assunto muito delicado.
A exigência de sexo o tempo todo foi muito difícil para mim. Meu ex-agressor me forçava a ter relações o tempo todo, não se importando se eu estava cansada, no meu período menstrual, doente, com dor de cabeça.
Para ele, eu era uma máquina de sexo. Eu simplesmente tinha que estar disponível e fazer. Ele não se importava se eu estava sentindo prazer ou não e nem qual era o meu humor. Como vivia pisando em ovos, eu cedia. E, no final, ele ainda reclamava, dizendo que tinha sido horrível.
O nome do que acabo de descrever é estupro matrimonial ou marital. Nenhuma mulher pode ser obrigada a ter relações como se fosse uma máquina.
Eu reclamei para várias pessoas, contando em detalhes o que me acontecia. Elas chegavam a rir e diziam:
– Isso é normal. E o meu que não me procura a x, y, z meses!
A falta de sexo em um casamento não justifica essa fala, de forma alguma.
Quando uma amiga lhe contar que está em um relacionamento abusivo, não desmereça ou minimize o relato dela. Jamais diminua a dor e a fala dela.
Da mesma forma, se sua amiga relatar uma agressão, discussões frequentes, falta de dinheiro ou dívidas criadas pelo parceiro que estão tirando a paz dela, não fique insistindo para que ela saia desse relacionamento.
Sair não é fácil! Nunca é.
Implica em sentimentos de fracasso, vergonha e medo.
Implica em questões emocionais e práticas.
Eu mesma vivi isso. Depois das primeiras agressões físicas, eu ainda desejava com todas as minhas forças que meu casamento desse certo. Ansiava por melhorar aquele homem tão doce e gentil que um dia eu conhecera. Finalizar aquela união representava um fracasso que, a todo custo, eu queria evitar. Além disso, o fato de ser recém-chegada na Inglaterra, estar sozinha, sem rede de apoio, e meu visto estar vinculado a ele, pesava muito.
Sua amiga também pode estar dependente do agressor tanto emocionalmente quanto financeiramente. Ela pode estar sem acesso aos próprios documentos ou irregular no país e ter medo de acionar autoridades. Algumas têm medo até de ir ao médico e há aquelas que não denunciam por não falarem o idioma local.
Além disso tudo, não podemos esquecer que o momento mais perigoso para uma mulher é o momento da saída de um relacionamento abusivo.
O risco é real e a questão é mais complexa do que pensamos.
Como rede de apoio, o mais importante a fazer é dar a mão a essa mulher e segurá-la firme. Não sair de perto dela e deixar claro que você estará lá para segurar a mão dela uma, duas, dez vezes, se for necessário.
Ouça sua amiga. Pergunte a ela o que ela gostaria que você fizesse: acompanhá-la ao médico? à delegacia? procurar uma advogada? se informar sobre documentação?
E tente não insistir para ela sair, se ela não estiver pronta. Eu sei que não é fácil, mas segurar a mão dela é a maior ajuda que você pode dar.
Eu já estive no lugar dela e posso garantir isso.
Se precisar de ajuda, conte comigo!
Até o próximo post!
