Em 2016, uma postagem anônima de um professor britânico causou muita polêmica por dizer que a “A Bela e a Fera” é um conto que promove a violência doméstica. Para ele, Bela está em um relacionamento abusivo e tóxico.
Quando soube disso fui analisar e concordei com o professor!
Bela não só passa por todas as fases do ciclo de abuso, como já chega na tempestade! O príncipe mostra logo de cara quem é. Mesmo assim, ela decide ficar. E por quê? Para defender e ajudar o pai, um homem sem noção ou juízo. Ou, como é o caso de muitas de nós, porque carrega lixos emocionais.
Depois de deixar meu ex-companheiro abusador, eu me questionei muito o porquê de ter escolhido me relacionar com esse homem que me fez mal de tantas formas.
Me perguntava por que fiquei tanto tempo naquele relacionamento, me perdendo naquele turbilhão de discussões, mal-entendidos, pisando em ovos e tendo que me explicar o tempo inteiro.
Esse não foi meu primeiro relacionamento ruim, mas foi o primeiro em que aconteceu violência física e verbal. Muitas vezes, vamos nos arrastando de relacionamento em relacionamento ruim e não nos damos conta.
Por que escolhemos os parceiros errados?
Depois do divórcio, participei de uma terapia em uma igreja na qual trabalhávamos a reconstrução do nosso Eu interior.
Nela, eu descobri por que sempre me sentia tão sozinha e acabei me relacionando com homens sem valor: porque eu não conseguia ver, enxergar, o meu próprio valor.
A psicologia nos explica que evitamos o desconhecido e buscamos a familiaridade, tentando recriar sentimentos e situações que vivemos na infância, mesmo que elas não tenham sido tão boas assim. Ou seja, por conhecer algo tão bem desde a infância é que buscamos repeti-las.
Talvez esse também seja o seu caso.
Talvez você tenha tido familiares que não te davam amor e atenção e, para poder ter amor ou atenção, você precisava estar sempre oferecendo algo em troca.
Talvez você tenha presenciado a diferença de tratamento entre vocês e seus irmãos, ou tenha sentido a rejeição por um ou até mesmo ambos os pais ou algum parente próximo.
Não importa como isso foi depositado dentro de você.
A questão aqui é que eles precisam ser identificados, transformados, ressignificados. São esses lixos emocionais que nos guiam a aceitar migalhas de atenção, a nos jogar com todas as forças em relacionamentos que nos oferecem tão pouco e aceitar tudo do outro. Até mesmo, violência.
Para mudar isso é preciso terapia. É preciso buscar ajuda profissional para poder romper com esse ciclo. O que me leva de volta à Bela e a Fera.
Esse tipo de história alimenta nossos lixos e a crença equivocada que carregamos de que podemos mudar o nosso agressor com a força do nosso amor. Mas essa ideia só faz adiar a saída do relacionamento abusivo. Porque ele não muda. Nenhum deles muda.
Sinto dizer, mas você não vai mudá-lo, também!
Quem precisa mudar é você!
Mudar esse pensamento, para se fortalecer e sair mais forte dessa relação abusiva. Isso nunca é fácil, mas o sofrimento pode ter um fim.
Busque auxílio. Você não está sozinha.
E se precisar de ajuda, fale comigo.
Até o próximo post!
